• A partir do finalzinho de março, o Mediação – Grupo de Pesquisa em Semiótica da Comunicação promove o Ciclo de Debates Comunicação no Espaço Urbano. Direcionado para estudantes, professores e profissionais de comunicação, design e artes, o evento objetiva incitar a reflexão sobre a cidade como espaço de produção da linguagem e da comunicação.

    Acontecendo mensalmente no Auditório Rio Negro, localizado no Instituto de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o ciclo inicia na manhã do dia 30 de março com a mesa-redonda “Notícias em trânsito: comunicação jornalística e mobilidade urbana”. Já no dia 28 de abril, o tema tratado é “Mídia exterior: a linguagem publicitária no espaço da cidade”. Na última parte do ciclo, a mesa-redonda tem como tema “Arte urbana: expressões criativas da cidade”, contando ainda com uma programação cultural.

    A inscrição é gratuita e pode ser feita online no Blog do Mediação, onde também é possível saber mais detalhes sobre o evento e as atividades do grupo de pesquisa.

  • Daido Moriyama é mais um japonês inserido no hall dos grandes mestres da fotografia. Sem fazer questão de equipamentos sofisticados (sua câmera “de estimação” é uma compacta 35mm), Moriyama controla cada imperfeição de suas imagens como poucos fotógrafos profissionais conseguiriam, não raro utilizando a falta de foco ou a superexposição a favor da atmosfera pretendida para a imagem.


    As fotografias de Daido Moriyama apresentam fortes contrastes que vão além do preto no branco que o artista tanto explora.  A inquietação nipônica do pós-guerra, marcada por uma maior abertura dos valores tradicionais japoneses e pelo típico materialismo emprestado dos gringos são temas recorrentes, sempre envoltos por uma atmosfera de conflito que vem desde as influências artísticas do fotógrafo: de Eikoh Hosoe a Andy Warhol.


    Através dos tons de cinza, a câmera de Moriyama passeia por caminhos alternativos da vida noturna nipônica, entrega-se a nus que vão do delicado ao agressivo, invade a solidão dos metrôs ou dos terrenos baldios. Muitas das imagens so am como registros de momentos fugidios que, não fosse pelo registro fotográfico, seriam engolidos pela loucura da vida nas grandes cidades e de seu point favorito, o bairro Shinjuku, em Tóquio. Na ausência das cores, a luz não raro se destaca mais que o tema da fotografia, adicionando um ar extra de mistério às imagens.


    Por fazer as pessoas se perguntarem o que exatamente tem de tão bom numa foto aparentemente tão simples, Moriyama continua intrigando seus admiradores no decorrer de suas quatro décadas de trabalho. Vale a pena conferir um pouco de sua arte no belo site oficial do fotógrafo.

  • (Somewhere - 2010 - USA)

    Sinopse: o ator de filmes de ação Johnny Marco (Stephen Dorff) encontra-se no meio de uma crise existencialista. Apesar de seu mundo consistir em festas, mulheres, entrevistas, gravações e muito, muito tempo livre, ele não consegue se encaixar ali completamente. É a partir do convívio maior com sua filha Cleo (Elle Fanning), que Johnny parece aos poucos descobrir um novo equilíbrio em sua vida.


    Crítica: Um lugar qualquer é a mais nova produção de Sofia Coppola, diretora do aclamado Encontros e Desencontros. A relação entre os dois filmes se dá não apenas ao perceber o esmero com que a estética do filme é tratada, mas também o tema é o mesmo: a auto-descoberta num mundo ao qual a personagem não parece pertencer. No entanto, Um lugar qualquer possui seus próprios méritos e defeitos.


    O ritmo de Um lugar qualquer é lento ao extremo, em especial no começo do filme, o que pode incomodar alguns espectadores. Porém, é essa chata lentidão que nos faz imergir no dia-a-dia entediante de Johnny, interpretado de maneira exemplar por Stephen Dorff. É de uma ironia sutil o fato de que justo um ator de filmes de ação, cujo mote é sempre a violência e o sexo, toca a vida sem precisar fazer esforço algum, apoiando-se em assistentes pessoais, morando num hotel e conquistando mulheres sem nem precisar dar “oi”.

     O marasmo de Johnny vai sendo substituído por uma chance de redenção com a chegada de Cleo, que mora com a mãe. A inocência da personagem deve muito ao rosto meigo da atriz Elle Fanning, mas também à sua interpretação natural, sem apelações. Cleo não é uma criança-prodígio, não é faceira nem banca a esperta, é simplesmente uma menina que tenta aproveitar os raros momentos com o pai. O ritmo do filme passa da lentidão para a delicadeza através das brincadeiras, dos cafés da manhã e viagens entre pai e filha, ambos satisfeitos com o oásis de normalidade que trazem para si.

    Mas nem tudo são flores no filme de Sofia Coppola. Há momentos em que o desenvolvimento das personagens é prejudicado pelo ritmo do filme. A diretora parece ter se empenhado mais em prezar pela atmosfera da trama e menos pelas personagens, o que atrapalha o espectador de criar uma conexão mais emocional com o filme. As aparições de microfones sob as cabeças dos atores também dão uma má impressão, apesar de alguns defenderem veementemente que a “falha” era uma metáfora para a artificialidade da vida de Johnny. Porém, é o final do filme que mais se destaca como destoante, fora da aura de realismo do resto da história. Se durante todo o desenrolar da trama acompanhamos personagens que tomam banho, se machucam, fazem refeições e outras coisas triviais, o filme mereceria um final também trivial, mas nem por isso menos tocante. O apelo ao estranho, nesse caso, soa como falta de criatividade.


    Apesar dos deslizes, Coppola sabe como apaziguar os ânimos frente a essas insatisfações. A fotografia de  Harris Savides é belíssima, mostrando Los Angeles de uma maneira intimista e prestando homenagem em especial ao Hotel Château Marmont, onde várias celebridades já viveram. Mais uma vez, a trilha sonora “moderninha” também agrada, com músicas de Foo Fighters, Phoenix, Gwen Stefani e The Strokes.

    Veredicto: Encare o começo lento e não espere reviravoltas ou revelações bombásticas; Um lugar qualquer vale a pena pelo carinho com que Coppola recorta momentos e expõe a delicadeza de coisas que muitas vezes passam batido na vida, mas que são essenciais.

    PS: Vale a pena dar uma visitada também no site SC Somewhere, um adorável diário virtual do filme.

  • O lago, de Yasunari Kawabata (tradução de Meiko Shimon, editora Estação Liberdade, 2010, 163 págs.), é uma das obras que fez o japonês merecer a alcunha de escritor que pintava as palavras. Nesse livro, sonho, memória e realidade se mesclam de tal maneira que um é indissociável do outro, numa sinestesia não apenas de sentidos, mas de tempos.

    Na trama de O lago, acompanhamos o fugitivo professor Ginpei Momoi até uma casa de banho turco onde é muito bem tratado por uma bela atendente. Entre uma massagem e uma lavagem de cabelo, Ginpei guia o leitor para dentro de sua mente, explicando do que está fugindo e revelando sua mania de seguir belas moças.

    Ao misturar antigas lembranças com estranhas suposições e ideais de beleza, conhecemos algumas das mulheres da vida de Ginpei, desde a prima Yayoi, seu primeiro amor, passando por Hisako Tamaki, sua ex-aluna e primeira moça que ele seguiu, Miyako Mizuki, a jovem esposa de um ancião que junta dinheiro para fugir do marido, e Machie, adolescente cuja beleza encanta a todos. As personagens têm entre si laços que vão além da presença sorrateira de Ginpei em suas vidas, criando uma unidade que faz com que elas possuam um ar onírico mesmo em situações corriqueiras. A prosa poética de Kawabata explora a feminilidade de cada uma delas e faz com que o leitor se embriague na obsessão de Ginpei.


    Kawabata resiste a dedicar o livro apenas a suas meninas-mulheres, pincelando Ginpei como um anti-herói nem um pouco típico. A personagem funde realidade e fantasia ao ponto de uma não se diferenciar da outra e embriagando o leitor com sua loucura. Os traços da personalidade do professor são aos poucos revelados de maneira sutil e precisa, demonstrando toda a sua fragilidade e solidão. Ginpei ouve e vê coisas que não existem, é empurrado na lama, sofre com a perda de seus amores, envelhece a passos rápidos e ainda assim é anestesiado pelo limbo de seus pensamentos e pela conclusão de que persegue a beleza das jovens para aliviar o que tem de feio e perdido.

    A melancolia que permeia até mesmo alguns momentos cômicos de O lago são a marca de Yasunari Kawabata. O escritor, que foi o primeiro japonês a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1968, teve a vida marcada pela morte de todos os seus parentes próximos e em seus últimos meses de vida ficou obcecado pelo suicídio do amigo e escritor Yukio Mishima. A própria morte de Kawabata é envolta em mistério: alguns acreditam em suicídio, outros em uma asfixia por gás acidental. O duo erotismo e morte, presente em tantos de seus livros, parecia predizer seu fim trágico, mas não deixa de brindar aos leitores de sua obra com um lirismo lúgubre único, e O lago é um exemplo imperdível disso.
  • O Natal está chegando e a essa altura do campeonato, muita gente já escolheu que presentes ganhar. Porém, quem é fã de grandes clássicos da literatura ainda tem tempo de repensar seus desejos depois de dar uma conferida no site Out of Print.
    Camiseta do livro Orgulho e Preconceito. Mais fofo impossível...

    Com o objetivo de celebrar os livros através da moda, o site oferece para venda roupas inspiradas em capas de livros como O Grande Gatsby, Um Estranho no Ninho ou On the Road. A arte de algumas estampas remonta a capas de edições antigas dos livros, o que dá um ar vintage às peças.

    Essa é de O Apanhador no Campo de Centeio. Eu PRECISO disso. Agora.


    Não bastasse as camisetas serem lindas, o site ainda contribui para disseminar a cultura mundo afora, pois para cada peça vendida, um livro é doado para uma comunidade carente através da parceria do Out of Print com o site Books for Africa.

    Não curto muito O Grande Gatsby, mas a camiseta é linda.

    Se você não se importar de ganhar o presente de Natal depois do dia 25, basta clicar aqui, escolher seu livro, ou melhor, sua camiseta favorita e aguardar a encomenda chegar!
  • Após meses sem nenhuma postagem, volto ao blog na maior cara de pau, retomando as atividades a partir de agora!

    Como passei a maior parte do tempo vivendo aventuras num mundo nada virtual (resumindo: saindo, viajando, namorando horrores, estudando que nem uma maluca e passando na seleção do mestrado em Ciências da Comunicação da Ufam, yeah!), deixo como sugestão para os leitores do blog o artigo Crítica Cinematográfica na Web - Um Estudo Sobre as Resenhas do Site Cineplayers, de minha autoria. Apresentei esse trabalho no XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom) em setembro deste ano, lá em Caxias do Sul (RS).

    O artigo trata da construção da análise fílmica na web através de resenhas, e como se dá a utilização de recursos multimídia para enriquecer o texto. Espero que apreciem. =)


  • Alguns retratos se tornam altamente significativos com o passar do tempo. Seja por conta da pessoa retratada, pela qualidade técnica da imagem ou mesmo por uma história relativa a seus bastidores, eles passam a fazer parte do imaginário popular mesmo quando as pessoas nem sabem ao certo quem é o indivíduo para o qual estão olhando. Aí vai uma lista com alguns desses retratos icônicos:

    Buzz Aldrin

    O “retrato espacial” do astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, foi feito por seu companheiro de trabalho Neil Armstrong em 1969. Eles chegaram à Lua no modulo lunar Eagle da missão Apollo 11, a primeira a pousar no satélite, juntamente com Michel Collins. Apesar da foto ser oficialmente de domínio público, Armstrong sempre a reclamou como propriedade pessoal.

    Leonardo da Vinci


    Qualquer pessoa que já tenha feito o segundo grau já viu essa imagem em algum dos livros, sejam de História, Física, Química, Biologia, Artes... Leonardo da Vinci foi o pintor, escultor, inventor, matemático, engenheiro, anatomista, arquiteto, botânico, poeta e otras cositas mas mais importantes do Renascimento. A ilustração acima é um de seus auto-retrato em lápis pastel e foi desenhado entre 1512 e 1515.

    Mahatma Gandhi


    Mohandas Karamchand Gandhi foi um dos principais responsáveis pela libertação da Índia quando o país era dominado pelos ingleses, além de ter disseminado pelo mundo as idéias do Satyagraha, um movimento de resistência não-violenta. Os retratos de Gandhi são inconfundíveis por seus óculos redondos, carequinha e olhar bondoso. Infelizmente, não se sabe quem foi o autor do retrato acima.

    William Shakespeare


    Mesmo quem não é fã de literatura já ouviu falar em Shakespeare e já viu o esse retrato alguma vez na vida. O assim chamado bardo inglês produziu um volume impressionante de peças de teatro e poesia que marcaram a literatura mundial, mas, ironicamente, nunca realmente foi descoberto se a pessoa retratada na imagem acima é realmente o escritor, apesar de estar em todos os livros de literatura de língua inglesa.

    Jim Morrison


    Joel Brodsky tirou muitas das fotos mais conhecidas da banda de rock The Doors. Em uma das sessões que fez com a banda, Brodsky fez retratos individuais dos outros membros do the Doors enquanto Morrison bebia e esperava sua vez. Resultado: o vocalista sex symbol e bêbado inveterado cambaleava entre um flash e outro, dando um ar único para as fotos.

    Vincent Van Gogh


    Não importa se para você Van Gogh foi um dos maiores pintores da história da arte ou o cara que cortou a própria orelha em algum lugar da Europa. É impossível não reconhecer o homem de olhar penetrante retratado através de pinceladas tão características. Van Gogh cortou um pedaço da orelha após uma discussão com o amigo e também pintor Paul Gauguin durante um severo ataque psicótico. No caminho de volta para casa, ofereceu a orelha para uma prostituta. Aproveitou e pintou uns quadros.

    John Lennon e Yoko Ono


    O vocalista da banda de rock mais conhecida do planeta tem muitas fotos memoráveis, mas esse retrato do então ex-beatle John Lennon com a esposa Yoko Ono rendeu à revista Rolling Stone uma de suas capas mais famosas. Annie Leibovitz tirou essa foto numa sessão para a revista poucas horas antes de Lennon ser assassinado. Apesar de a idéia original ser um retrato apenas de John, ele insistiu que a esposa aparecesse e os dois bolaram tal pose espontaneamente.

    Albert Einstein


    Em seu aniversário de 72 anos, Albert Einstein já estava de saco cheio de sorrir para os fotógrafos no decorrer do dia, quando foi a um evento em sua homenagem. Arthur Sasse bem que tentou persuadi-lo a sorrir mais uma vez, mas recebeu essa língua do cientista. A foto malcriada se tornou uma das mais conhecidas do pai da teoria da relatividade. Einstein gostou tanto da foto que a usou em cartões de natal enviados aos familiares.

    Che Guevara


    Alberto Korda tirou esse retrato em 1960 durante um memorial às vítimas da explosão de La Coubre em que 136 pessoas morreram. A imagem sequer foi usada na época pelo jornal em que Korda trabalhava. Após sete anos arquivada, Gianfranco Feltrinelli solicitou do jornal essa imagem e imprimiu milhares de pôsteres apenas do rosto de Che. Anos depois, Jim Fitzpatrick também foi na onda e criou a estampa de Guevara que vemos em camisetas até hoje. Korda nunca recebeu royalties pela fotografia.

    E você, gostou da lista? Que retratos acha marcantes?
  • A mais nova edição da Revista de Estudos da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) pode ser conferida aqui e traz o artigo Lolita: o romance de Vladimir Nabokov e o filme de Stanley Kubrick, de minha autoria. 

    O trabalho trata do processo de adaptação do romance Lolita para filme, explicitando as mudanças ocorridas nessa adaptação para roteiro cinematográfico e se a mudança de meio implicou em modificações significantes no que diz respeito à fidelidade aos principais temas e às personagens do livro.

    É minha primeira publicação em revista científica e você pode lê-la na íntegra aqui. Espero que as pessoas que curtem o tema gostem do artigo (primeiro de muitos, espero!).


  • (Pierrot le fou – 1965 – França)

    Sinopse: Ferdinand Griffon (Jean Paul Belmondo) leva uma vida vazia, casado com uma rica italiana e trabalhando como produtor de tv. Ele e sua esposa vão a uma festa burguesa e contratam uma babá, Marianne Renoir (Ana Karina), para cuidar dos filhos. Porém, Marianne é um antigo affair de Ferdinand, a quem chama Pierrot. Os dois fogem juntos: ele, de uma vida sem graça; ela, dos bandidos com quem se envolvera antes de reencontrar Ferdinand.


    Crítica: Jean-Luc Godard brinca com a metalinguagem do cinema neste filme, apesar de não seguir uma trama com estilo “filme-dentro-de-um-filme”. A pista sobre o verdadeiro tema de O demônio das onze horas é dada na cena em que Ferdinand vaga pela festa em que foi com a esposa e conversa com um diretor de filmes norte-americano (interpretado por Samuell Fuller, ele próprio diretor). Na tal cena, Fuller explica: “O filme é como uma batalha. Amor, ódio, ação, morte. Em uma palavra: emoção”. E são esses os elementos que permeiam a clássica produção.


    Das cenas de luta no melhor estilo comédia pastelão, passando pelos belos e velozes carros que o casal sai roubando pelo caminho enquanto fogem de perseguições ou pelos momentos em que os diálogos são substituídos por canções de musical, O demônio das onze horas remete a diversos gêneros do cinema convencional, especialmente o norte-americano. Porém, em momento algum é deixado de lado o caráter filosófico e da Nouvelle Vague, movimento cinematográfico do qual Godard foi um dos representantes mais significativos.


    O que num filme convencional seria mais uma história de amor, nas mãos de Godard ganha ares de thriller policial entrecortado por uma relação fadada ao fracasso. Jean-Paul Belmondo encarna com maestria um homem que anseia por algo diferente, mas que se prende apenas aos livros e aos pensamentos. Já Marianne é toda vigor, esperando sempre pela próxima agitação, a ponto de proclamar em dada parte do filme: “Vamos voltar ao romance policial!”. 


    Apesar de ter um roteiro bem errante, O demônio das onze horas traz como grande trunfo outros elementos cinematográficos que garantiram a marca do filme na história da sétima arte. A edição fragmentada é uma aula de cinema, especialmente nas cenas que ilustram o diálogo de Ferdinand e Marianne sobre o passado da moça. São recortes incompletos que deixam muito para o espectador inferir como se fosse ele próprio o editor, juntando frase a frase as pistas entregues pelo diretor e montando a estória numa brincadeira semiótica em que uma coisa sempre remete a outra. A fotografia de Raoul Coutard garante imagens deslumbrantes do litoral francês, além de se esbaldar com a beleza de Anna Karina. Outro ponto forte é a trilha sonora que conta com composições de Antonio Vivaldi e as adoráveis canções “Ma Ligne de Chance” e “Jamais je ne t'ai dit que je t'aimerai toujours”, compostas por Antoine Duhamel e Boris Bassiak.


    Veredicto: O demônio das onze horas tem todos os elementos de um filmaço gringo: amor, violência, comédia, armas e perseguições. Porém, graças à mão de Godard, o filme se torna uma antítese de quaisquer formas convencionais de cinema. É bom o espectador estar preparado para ver algo muito diferente e se divertir com as referências à literatura, cinema e cultura pop que o diretor esparrama pelo filme.

  • Se você é fã dos quadrinhos Scott Pilgrim e está ansioso pela estréia do filme (ou mesmo se é um entusiasta do mundo dos bonequinhos que podem ser criados através de sites mesmo sem você entender bulhufas de desenho!), é bem provável que vá se divertir com o Scott Pilgrim Avatar Creator.

    No site, você mesmo pode criar um personagem com os traços característicos de Bryan Lee O'Malley. Além do avatar em si, você ainda ganha denominações como “Gothic Lolita”, “The Straight Edge”, “The Friend of the Hero” e outras bizarrices.
    Não curto muito esse traço, mas meu
    avatar ficou até bonitinho!

    É possível disponibilizar a ilustração via Twitter, Facebook ou em forma de link, além de criar papeis de parede com ela em diversos tamanhos ou criar um mini icon. Dá pra passar o tempo brincando no site até a estréia do filme no dia 13 de agosto.

    E aí, pronto para criar o seu?

  • Com a proposta de publicar “tiras relativamente engraçadas todos os dias”, o RyotIRAS é um prato cheio para quem curte um humor inteligente. Bolado por Ricardo Tokumoto, que de integrante de orquestra passou a punk, programador e designer, o site expõe em diferentes estilos tirinhas que vão das piadas mais escrachadas até um conteúdo super filosófico.


    A liberdade de criação com que o artista se brinda é muito interessante. O RyotIRAS apresenta um trabalho diversificado não apenas nos temas abordados, mas também no traço e nas técnicas empregadas na ilustração. Há bonecos toscos com cara de Paint, experiências com fotomontagem e delicados rabiscos de lápis de cor.


    O que cria uma unidade nas tirinhas do Ryot é justamente a capacidade de fazer rir tanto quanto pensar. Merece destaque a brincadeira multimídia de Tokumoto, que posta cada tirinha como um hiperlink para um vídeo, imagem ou outra “atração” que se relaciona com o desenho inicial. Divertido e imperdível!


    Afim de matar mais curiosidades sobre o RyotIRAS? Clique aqui e confira o Formspring de Ricardo Tokumoto, ou siga-o no Twitter.


  •  A obra de Frédéric Boilet é singela, romântica, sensual e cheia de toques autobiográficos. E é assim, confundindo o leitor num universo metalingüístico em que o Boilet “de verdade” e o “de quadrinhos” se confundem, que Garotas de Tóquio se desenvolve. A graphic novel acompanha as desventuras do autor com sua maior paixão: as mulheres.

    Na primeira história, de cara o leitor é apresentado a uma das personagens mais enigmáticas do universo de Boilet: Yukiko. A moça já havia aparecido na graphic novel O Espinafre de Yukiko, a mais conhecida do belga. Tal obra ganha uma espécie de apêndice sobre a moça com Os Roxos de Yukiko. A história se passa entre lençóis e trata de um inesperado pudor da japonesinha.



    Com E O Vento Levou... Até As Periquitas Violetas, Boilet brinca com simbolismos ao retratar o caso de uma tarde com uma moça toda vestida de violeta. O mangaká abusa do misticismo e de toques poéticos ao esmiuçar o significado da cor, tudo isso sem deixar de lado a sensualidade característica de seus trabalhos.


    Uma História Quase Sem Palavras é a próxima aventura de Boilet em Garotas de Tóquio, e o título não poderia ser mais adequado. Os desenhos comandam toda a ação e mostram uma tórrida cena de sexo, desenhada claramente a partir de fotos e vídeo. Tal recurso é bastante utilizado pelo belga, sempre com um resultado muito delicado. Longe da vulgaridade, impressiona a doçura do final dessa história.

    Com Gansos Brancos E Pintas Escondidas, Boilet demonstra também possuir bons toques de humor. A história trata do dilema de uma moça que aceita posar para um artista (adivinha quem é o tal artista?), mas que não quer ser identificada. Máscaras, perucas, poses estrategicamente planejadas para não mostrar esse ou aquele detalhe, nada é o suficiente para manter o anonimato.


    Ayutthaya Reggae é a história que mais destoa das demais. Além de não ter uma japonesa como protagonista, sequer se passa no Japão. No entanto, o mangaká recorre novamente ao simbolismo das cores para relembrar o affair tailandês. Essa moça deve ter impressionado bastante Boilet para entrar assim de surpresa em seu Japão imaginário.

    Um Belo Manga Erótico, a história seguinte, entrega em sua primeira ilustração o caráter voyeurístico de Boilet em meio a todas essas mulheres. Sua japonesa da vez o desafia: “Como quer ter boas idéias sem ficar excitado?”, e parece que ela realmente estava certa!


    Finalizando Garotas de Tóquio, Neri 2004 traz mais uma vez a delicadeza característica de Boilet, porém com um tom mais melancólico. Texto e ilustração formam um verdadeiro poema ao descrever pequenos momentos do autor com uma moça que só o ama “um pouco”.

    Em Garotas de Tóquio o nu está sempre presente. Porém, ele transcende o tom de provocação para expressar a extrema liberdade com que as mulheres entram e saem do universo de Boilet. Elas decidem os limites a serem quebrados, os mundos a serem explorados, e só resta ao belga ser um estrangeiro e nos arrastar por esse adorável tour.
  • Stina Persson sabe como equilibrar a beleza, conteúdo e apelo comercial em seu trabalho. A ilustradora sueca já trabalhou para grandes marcas como Absolut Vodka, Nike e Sony Music, mas tais gigantes corporativos perdem o peso completamente ao se apreciar as delicadas aquarelas em cores vibrantes, ou suas pinturas de acrílico e nanquim, além de fotomontagens com toques psicodélicos.


    Tendo trabalhado em países tão diferentes como Japão, Itália, Estados Unidos e Suécia, é difícil decidir quais influências marcam mais as ilustrações de Persson. O notável é que a artista ecoa tais influências de maneira uniforme, com primor técnico invejável (ela prefere fazer a maior parte do trabalho de maneira manual, sem apelar para o computador) e, principalmente, com uma identidade própria e facilmente reconhecível.

    Para os xiitas que acreditam que um artista de verdade não pode ganhar dinheiro com seu ofício, Stina Persson é a prova do contrário: seu trabalho figura em várias publicações dedicadas aos grandes nomes da arte contemporânea, dentre elas The Age of Feminine Drawing e The Fundamentals of Illustration.

    Para acompanhar as novidades de Stina Persson, clique aqui e confira o blog da artista.
  • Sorrisos, embaraços, silêncios: essas são algumas reações registradas no documentário Doze. Ao entrevistar doze indivíduos com um questionário de doze perguntas aparentemente banais, observa-se o que há de mais natural e interessante naquela pessoa que poderia muito bem estar logo ao seu lado tentando atravessar a rua, por exemplo.

    A obsessão pelo número não pára por aí. Ao todo, doze participantes da Semana de Estudos da Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizaram o documentário em 2008, orientados pelo produtor e videomaker Aldemar Matias. Baseado no vídeo “Imparcial”, realizado pelo Cinema Soco, o grupo formado em sua maioria por estudantes de comunicação aprendeu técnicas de produção e edição de vídeo para a partir daí vagar pelos corredores da Ufam em busca de suas cobaias (ou seja, entrevistados!).

    As pessoas selecionadas não poderiam ser mais diferentes. Tímidos, extrovertidos, rabugentos, jovens e idosos, todos deixam transparecer suas vivências e visões de mundo ao responder perguntas como “você já plantou uma árvore?”, "já tomou banho de rio?". Um detalhe interessante é o fato de as perguntas dirigidas aos entrevistados terem muito a ver com a realidade local, despertando a simpatia de quem responde e a curiosidade em quem assiste ao vídeo.

    Ficou curioso sobre “Doze”? Assista ao vídeo, dividido em duas partes, e se divirta por doze minutinhos.



    E aí, gostou? =)


  • Diane Arbus e sua maquina fotográfica pareciam ser uma criatura só, ou pelo ao menos é essa a impressão que suas fotos passam. O modelo ou o cenário escolhido se exibe completamente à vontade em sua própria pele, e acaba sendo esse o elemento que causa estranheza, pois o que há de mais natural no mundo retratado por Diane é justamente o que intriga quem o contempla.

    Ironicamente, Diane começou no mundo da fotografia fazendo trabalhos de moda e publicidade. Dentre seus empregadores estava a loja de departamentos de sua abastada família, os Nemerov, além das revistas Harper’s Bazar, Seventeen e Vogue. Ela odiava o mundo da moda, mas pelo ao menos podia trabalhar ao lado do marido, Allan Arbus, que lidava com os aspectos técnicos da fotografia enquanto Diane soltava a imaginação. Aliás, essa era uma de suas características mais marcantes. Não raro Diane passeava por aí com uma Rolleiflex sem filme, captando belas imagens que se revelavam apenas em sua mente.


    Foi nos anos 1950 que Diane passou a se dedicar a um estilo mais pessoal de fotografia, retratando em preto-e-branco todas as personagens que fugiam do padrão do “sonho americano” da época: anões, gêmeos, travestis, nudistas e artistas de circo foram alguns de seus modelos, o que rendeu a Arbus o apelido de “fotógrafa de aberrações”. Era a sua maneira de injetar um pouco de realidade a uma vida sem grandes sobressaltos ou privações.


    Através da fotografia Diane lidou com seus medos e preconceitos, fossem eles originados da aparência estranha de seus modelos ou de sua educação tradicional que a protegia de tudo que fosse “anormal”. E apesar das dificuldades, nos anos 1960 sua carreira se estabeleceu. Ela recebeu duas vezes a bolsa Guggenheim para financiar seu trabalho. Além disso, realizou exposições no Museu de Arte Contemporânea (MoMA) em Nova York (onde tinha que chegar cedo todos os dias para limpar suas fotografias, pois muitas pessoas cuspiam nelas!) e deu aulas de fotografia na Parsons School of Design e Rhode Island School of Design.


    Tamanho sucesso artístico não se refletia na vida pessoal: Arbus se separou do marido em 1958, sofria de crises de depressão e desconfortáveis sintomas de hepatite. Tais problemas culminaram em sua morte em 1971. A causa: suicídio por ingestão de barbitúricos e cortes nos pulsos. O corpo da artista demorou dois dias até ser encontrado no banheiro de sua residência na Westbeth Artists Community pelo também fotógrafo Marvin Israel.


    O legado de Diane Arbus adquiriu uma magnitude que nem a própria fotógrafa poderia imaginar. O catálogo de sua exposição retrospectiva se tornou um os livros de fotografia mais influentes já publicado, atingindo as 100 mil cópias. Sua exposição do MoMA já foi vista por sete milhões de pessoas. Até Stanley Kubrick a homenageou com as gêmeas fantasmas do filme O iluminado, que remetem a uma de suas fotografias. Ainda no mundo dos filmes, a cinebiografia A Pele foi lançada em 2006 e Nicole Kidman interpretou a fotógrafa. Por mostrar que normalidade é apenas uma questão de luz e ângulo, a arte de Diane Arbus continua prestigiada mesmo após tantos anos de sua morte.

    Para conferir melhor o trabalho de Diane Arbus, visite seu site.

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