
(Fando y Lis – 1968 – México)
Sinopse: Fando, um jovem atormentado por seu passado, e Lis, uma moça frágil e paralítica, formam um estranho casal que vaga por um mundo pós-apocalíptico em busca da misteriosa cidade de Tar, onde eles acreditam que poderão viver uma vida perfeita.
Sinopse: Fando, um jovem atormentado por seu passado, e Lis, uma moça frágil e paralítica, formam um estranho casal que vaga por um mundo pós-apocalíptico em busca da misteriosa cidade de Tar, onde eles acreditam que poderão viver uma vida perfeita.
Crítica: Dirigido pelo cineasta, ator, escritor, autor teatral e de histórias em quadrinhos, filósofo e especialista em tarô Alejandro Jodorowsky, Fando e Lis é o primeiro longa metragem do diretor chileno. Lançado em 1968 no Festival de Acapulco, o filme foi recebido com estranheza pelos mexicanos, que eram acostumados a um cinema leve de formato tradicional. Tais adjetivos não podem de forma alguma ser aplicados a Fando e Lis: são 93 minutos de um labirinto de sonhos e pesadelos do casal-título, que lutam contra as lembranças de traumas do passado e que por causa deles mostram os medos, ânsias e doçuras da alma humana, assim como o egoísmo e a maldade.

Fando e Lis é baseado na peça infantil de Fernando Arrabal, autor de teatro e amigo de Jodorowsky. O diretor construiu o roteiro a partir de suas lembranças e impressões sobre peça, o que torna esta adaptação por si só onírica. Acrescenta-se a isso o gosto de Jodorowsky ao misticismo e ao surrealismo, sua marca registrada. A atuação intensa de Sergio Kleiner como Fando e a beleza de Diana Mariscal como Lis dão o tom certo à trama. Merece destaque também a trilha sonora, com algumas doces e melancólicas canções infantis cujas entrelinhas escondem questionamentos metafísicos.

Quanto à estética, o trabalho de Jodorowsky já aparece com bastante consistência nessa sua obra inicial no cinema. A fotografia em preto-e-branco e a iluminação esmerada são utilizadas muito bem, dando peso adicional ao drama do casal e às locações desoladoras. A edição é ágil e completamente inovadora para a época, abusando de ângulos inusitados e cortes rápidos e secos. O melhor exemplo disso tudo são as cenas do casal no cemitério (num momento tragicômico) e quando Lis é deixada sozinha em uma cratera.

Veredicto: Por conta de um desentendimento com o produtor Allen Klein, os filmes de Jodorowsky ficaram fora dos circuitos de exibição por décadas. Existiam apenas sessões clandestinas com cópias feitas a partir de VHS que o próprio diretor cedia “por debaixo dos panos”. Isso ocorreu até recentemente, quando Klein e Jodorowsky se reconciliaram e as películas puderam ser relançadas em dvd com melhor qualidade de som e imagem, incluindo-se aí Fando e Lis. Portanto, nem preciso dizer que aproveitar a oportunidade de assistir a um filme de um dos cineastas latino-americanos mais intrigantes já surgidos é uma obrigação para todo bom cinéfilo, né?















