11 Novembro 2009

mulheres que nunca fui: marguerite duras


Uma francesa nascida no Vietnam que se destacou por todos os meios em que passou com a sua arte e temperamento forte. Marguerite Duras é mais uma mulher que nunca fui, mas que ainda hei de ser!

Marguerite Donnadieu nasceu em 4 de abril de 1914 em Gia-Dinh, na Indochina Francesa. Seus pais se mudaram da França para o local, que atualmente faz parte do Vietnam, acreditando na promessa de prosperidade na então colônia francesa. No entanto, dias de muitas dificuldades aguardavam Marguerite e sua família. Seu pai faleceu pouco tempo depois. Sua mãe permaneceu e criou os três filhos em meio à pobreza após alguns investimentos fracassados.

Não bastasse o período de vacas magras que nunca passavam na vida da adolescente Marguerite, ela ainda sofreu agressões da mãe e do irmão mais velho. Sem perspectivas, ela viveu um tórrido affair com um homem chinês rico e muito mais velho, com o qual podia fugir por alguns instantes do ambiente familiar instável e da pobreza. Esses foram acontecimentos cruciais quando Marguerite decidiu se tornar escritora, e foram descritos em obras como O amante (1984), seu livro mais conhecido e que virou filme pelas mãos de Jean-Jacques Annaud em 1992.



Aos 17 anos, a rebelde Marguerite se muda para a França, onde estuda Direito para logo depois abandonar o curso a favor das Ciências Políticas. Após se formar, torna-se membro ativo do Partido Comunista Francês e da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Mais ou menos nessa época, Marguerite muda seu sobrenome para Duras em homenagem à vila em que seu pai morava. Em 1939, ela se casa com Robert Antelme, escritor que também está envolvido com a Resistência e que por isso é deportado. Foi um duro período, mas Robert escapa milagrosamente das mãos da Gestapo. O acontecimento inspirou alguns escritos de Marguerite, em especial o livro de contos A dor (1985).


A criatividade de Duras aflora durante o pós-guerra. Ela lança seus dois primeiros livros, Os imprudentes (1943) e Vida Tranqüila (1944) nessa época. Inquieta, não se restringe apenas à literatura e escreve também argumentos para o cinema. Nasce daí o clássico do cinema francês Hiroshima Meu Amor (1961). Dirigido magistralmente por Alain Resnais, a história mostra uma atriz francesa que se envolve com um japonês enquanto reaviva as lembranças de sua paixão do passado por um soldado alemão durante a Segunda Guerra. Os diálogos profundos, poéticos, casam completamente com os suaves movimentos de câmera e com a beleza e melancolia das locações.



Duras finalmente realiza sua pequena vingança literária quando seu livro O amante ganha o prêmio Goncourt em 1984. Ela era aposta certa para receber o prêmio 30 anos antes, com a obra Uma barragem conta o Pacífico, o qual especula-se que só não tenha ganhado por causa das inclinações políticas da autora. Durante os anos 1980, ela causa mais um alvoroço ao se apaixonar e casar com Yann Andréa Steinnet, um homem 38 anos mais novo. Eles vivem juntos até 1996, ano em que Marguerite morre vítima de câncer.

Com seu jeito tempestuoso, Marguerite fez história numa época em que o papel da mulher na sociedade começava a se transformar e transcender o ambiente familiar, a moral e os valores de até então. Sua escrita apaixonada, sincera e questionadora era apenas um reflexo de sua personalidade, dedicando-se a temas como os amores, grandezas e misérias da condição humana. Poucas escritoras atingiram tal grau de empenho em suas obras e vidas.

3 comentários:

Diego Hatake disse...

Ela escreveu "HIroshima Meu Amor"??? I'm shocked!
E obrigado pela dica. Vou participar dessa conferência sim, achei interessante, e vai fazer bem pras minhas horas extras. XD
Sobre os filmes, eu realmente espero que não seja de noite, porque eu vou ficar muito puto. XD Tinha aquela exibição que foi bem aqui pertinho de casa, mas bem no horário da minha aula, assim não pode!

fdots disse...

não é de noite não. é 12h30 na ufam.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Vim pelo link do Diego.
E realmente seu blog é excelente.

Gosto muito dos autores do nouveau roman.

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